domingo, 4 de novembro de 2012

A inesperada conversa


 Aquela noite havia sido agitada, o calor estava insuportável e dormir mais tarde foi a solução por mim encontrada. Deitei-me após as duas horas da manhã e já as seis e quinze tocou meu telefone celular. Não queria atender, mas naquele horário só poderia ser algo urgente...
- Alô?
- Denise, você não vai acreditar!!
- Humm...só vou se você me contar...
- Acabei de abrir a porta e tem um... um... ai... um morto aqui!
- Um, o quê?
- Um morto, alguém morreu aqui!
- Você me ligou este horário só para fazer piada... ah, é véspera de Halloween e já começaram as brincadeiras com os mortos? Esta noite foi difícil e o meu dia já está começando bem...
- Não é nada disto, você não imagina como estou... pensei que pudesse contar com você, mas...
- Calma, você está falando sério?
- É claro, acordei, a campainha tocou, abri a porta e lá estava um corpo caído... Fechei a porta e liguei pra você!
- Tá, acalme-se. Tome um copo d`água e ligue para a polícia. Eu vou me arrumar e já vou te encontrar aí. Tente ficar tranquila.
- Obrigada, vou ligar para a polícia e espero você descer aqui.               
- Chego já, já.

Telefonema inesperado

Após encontrar um corpo em sua porta, Fátima, minha melhor amiga, me liga desesperada...
Eu: Alô?
Fátima: É da polícia?
Eu: Oi, Fátima, bom dia! Querendo me passar um trote é? Quero ver eu não reconhecer sua voz.
Fátima: Ju? Peguei o telefone pra ligar na polícia, to muito nervosa, acho que errei...
Eu: Por quê? O que aconteceu?
Fátima: Um homem... morto... na minha porta...
Eu: O quê???? Explica isso direito!
Fátima: Hoje eu acordei para ir trabalhar, “tava” me arrumando, tocaram a campainha e, quando fui atender, tinha um homem caído...
Eu: Nossa!
Fátima: Achei que tivesse passado mal, sei lá. Olhei para ver se tinha alguém com ele, ou alguém que tivesse visto o que aconteceu, mas não tinha ninguém...
Eu: Mas você falou que tá morto? Será que não é só um desmaio? Você tentou acordá-lo?
Fátima: Eu “chamei ele” e nada... daí, pus a mão no braço dele, tava gelado, duro, não tive coragem de ver o rosto, que tava virado para o chão.
Eu: Você tá sozinha aí?
Fátima: Tô, não tem viva alma aqui!
Eu: Tá, amiga, “fica” calma, “liga pra” polícia, “tô” indo aí!
Fátima: Tá, vou ligar, beijo, tchau.
Eu: Tchau.

sábado, 3 de novembro de 2012

Conversa telefônica entre duas irmãs

Certa manhã, ao me acordar, abri os olhos, consultei o relógio de cabeceira e notei que ainda era muito cedo, porém estava sem sono e por mais que eu tentasse não consegui voltar a dormir. Então, decidi me levantar e ir até o banheiro escovar os dentes e lavar o rosto, porém antes mesmo de me mexer, o telefone tocou. Vi no identificador de chamadas que era o número da minha irmã, Ana Paula. Ao atendê-la, ouço entre soluços sua voz trêmula:
— Alôôô !
— Ana, , oi! Nossa, aconteceu alguma coisa? Você nunca me liga tão cedo...
— Eu tava tomando banho, me preparando para ir ao trabalho...
— E aí ?
— Ouvi o som de alguém tocando a campainha da minha porta, então me enxuguei às pressas e saí do banheiro e fui atender a porta. Tava morrendo de medo, pois estou sozinha em casa, né! Lembra que o Carlos viajou a trabalho?
— Lembro sim, mas fale logo, Ana, estou ficando aflita!.
— Quando abri a porta, vi um homem caído na soleira da minha porta. Quase caio dura de susto! Ao seu lado estava o seu Amauri, sabe o vizinho do apartamento do lado, aquele que mora sozinho e cuida da vida de todo mundo...
— Sei sim, mas e aí?
— Seu Amauri disse que estava saindo e viu aquele homem caído em minha porta e, por isso, resolveu tocar a campainha pra ver se eu sabia o que tinha acontecido. Ele acha que o cara tá morto!!!!! Jesus!!!
— Como assim, morto?!E na sua porta? Você sabe quem é?
— Nunca vi o cara!Caramba!Seu Amauri disse que este rapaz costuma fazer algumas entregas aqui no prédio e que, provavelmente, está morto há muitas horas, pois o cara tá rígido. E agora? O que eu faço com este homem aqui, caído em minha porta? E um vizinho idoso desesperado e descontrolado?
— Ana, liga pra polícia AGORA e conta o que você me contou. Já!!!
— Você pode vir aqui me ajudar, por favor??!!!
— Tô indo, mas liga pra polícia!!
— Brigada!!! Tô te esperando!

domingo, 21 de outubro de 2012

A leitura em minha vida...

A leitura sempre esteve presente em meu cotidiano... Ser a irmã mais nova facilitou muito este processo porque eu via meus irmãos mais velhos com livros na mão e queria ler também, ter tarefas, escrever... Para mim aquele era um mundo mágico que eu gostaria de fazer parte.
Com o apoio de meus pais fui sendo inserida neste universo da leitura e, posteriormente, da escrita. Lembro-me do primeiro livro que emprestei da biblioteca, quando tinha uns cinco ou seis anos. Ele era muito ilustrado e contava a história de uma bruxinha: eram traços simples em preto e branco, mas me encantaram. Este encantamento foi se ampliando com o passar dos anos e fui descobrindo outros gêneros, novos autores, novas histórias e novos conhecimentos.
 Com o curso de Letras conheci mais teorias e aprofundei-me no mundo da leitura, em alguns momentos por obrigação, mas em muitos pude curtir esta minha paixão literária. Fiz o mestrado em Literatura Brasileira e hoje mantenho o mesmo encantamento e envolvimento ao descobrir em um novo texto, um mundo novo.

Ensinar aprendendo

A leitura é uma paixão em minha vida, comecei a ler muito cedo e sempre com a convicção de que seria uma paixão eterna.
Hoje tento passar para meus netos e alunos esse amor incentivando-os sempre. Comento nas aulas o que estou lendo e peço que os alunos façam o mesmo,essa troca tem sido fantástica e tem me feito aprender muitas coisas.
A cada aula me surpreendo com alunos que no começo eram totalmente avessos a ideia e que hoje interagem de maneira bastante produtiva.
Essa é minha contribuição para incentivar a leitura e tem sido muito gratificante, quando comento o quanto gostei de um livro, cito trechos ou conto um pouco da história, e ao relatar procuro fazer com que eles "viajem" comigo por lugares fantásticos como os muito bem descritos no livro: Solstício de inverno de Rosemund Pilcher, que é um dos meus preferidos.
Espero seguir esse caminho de paixão até sempre e poder ver seus frutos no futuro na vida de meus netos e alunos.

sábado, 20 de outubro de 2012

Depoimento sobre leitura  e escrita:
Identifique-me com o depoimento da Danuza Leão, quando ela discorre sobre seu gosto pela leitura e os livros que a atraem, também me considero bastante avessa a rótulos para dizer que gosto de ler somente determinado assunto, gênero ou autor. Se comecei a ler e a obra “me fisgou”, sou uma alma conquistada, e bem sabemos, o coração não faz escolhas refletidas.
Também gostei do depoimento de Antonio Cândido, que relaciona leitura à consciência, humanização e conhecimento. Creio que não poderia deixar de falar de Paulo Freire, quando este diz que toda leitura de palavra é precedida pela leitura de mundo.
Minha leitura com a leitura e a escrita é muito íntima e isso se comprova na escolha da minha profissão. Escrevo poesias, mas não as mostro a ninguém, elas dizem o que há de mais reservado em mim, retratam-me como ninguém nunca me viu.
Por isso, com base em minhas vivências, a resposta para a pergunta “o que é ler e escrever para você” pode ser mais de uma. Ler é responder às diferentes necessidades que essa atividade possibilita, é conhecer o outro, é passar do momento de tristeza para o de alegria por meio da palavra do outro (e vice-versa), é estar incluído numa sociedade letrada de forma a ter ferramentas para transformá-la pela leitura e a escrita, é tomar consciência de muitos discursos que não nos chegam pela palavra falada, é conhecer o mundo.
Escrever é dar forma por meio das letras e palavras a sensações, sentimentos e reflexões de uma maneira organizada, porque na escrita repensamos o que já pensamos, é retomar a palavra do outro por meio e também deixar palavras a outros por meio do dialogismo, é participar de situações de letramento, é uma forma de tornar-se eterno.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A Leitura e a Escrita na minha vida

        Sempre adorei ler. Acredito que esse foi um dos motivos que me impulsionou a fazer o curso de Letras. A leitura e a escrita sempre estiveram presentes em minha vida de aluna na UNESP e, mais tarde, como professora de Português.
        Porém, após o nascimento de meu primeiro filho, tive depressão pós-parto e síndrome do pânico. Essas doenças da alma me destroçaram, quase me deixaram aniquilada.Atitudes cotidianas, corriqueiras eram impossíveis de serem conseguidas.
        Com muito apoio de meu marido e tratamento médico, consegui retomar minha vida gradativamente. Voltei a ler e a escrever. Só que desta vez com fôlego e ânimo renovados: passei a pesquisar na internet sobre os inúmeros blogs de leitura, os grupos de leitura, as indicações dos grupos, etc.
        Comecei a fazer um diário sobre meus ressentimentos, meus constrangimentos, minha impotência diante da vida.
        Posso afirmar categoricamente que a escrita e a leitura me salvaram. Com minha busca incessante pela leitura. descobri a cura para as dores de minha alma.
        Faço minhas as palavras de Nina Horta:" Muitas vezes deixo de viver ou ver coisas concretas porque estou lendo sobre elas".